sexta-feira, 28 de março de 2014


SENHORES DO PODER

Eis os senhores do poder
sentados à mesa com a senhora injustiça,
servindo-se da pútrida ganância
que cega
que fere
que mata...

O senhor e sua corja
juntos, na festa do cifrão,
de braços e abraços com a corrupção
que cega
que fere
que mata.


Jorge Floriano

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014


CUSPARADA  DA INSENSATEZ

A alma cansada e ferida
rasteja na lama provocada pela cusparada da insensatez,
Já não consegue olhar pela fresta da vida
embaçada pela camada espessa da sordidez.
Rasteja a alma
que duvida da doçura do mel,
Rasteja a alma
que conhece e acredita no fel.


Jorge Floriano

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014


VELHO MENINO

O velho menino vem
com seus passos longos e ligeiros
balançando com o nobre vento,
O velho menino vem
marcando as faces dos passageiros
sem exceção e sem julgamento.

O velho menino vem
rasgando  as vestes da existência
deixando-a totalmente nua,
O velho menino vem
mascando a decadência
e cuspindo a verdade crua.

Jorge Floriano.                                    

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013


HIPOCRISIA NATALINA

Fantasias envolvendo capitalismo,
Luxo nos corredores da miséria,
Os olhos do mendigo no palhaço Noel,
Reis e rainhas em palácios iluminados,
Inexistente sentimento solidário,
Anos e anos de hipocrisia,
Natal! Lembra-se de tantas coisas...
O aniversariante raramente é lembrado.

Jorge Floriano.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013


LÁBIOS DOCES DA FALSIDADE

Feras devoradoras dos humildes,
Lobos em peles de cordeiros,
Ouvindo a voz dos cifrões,
Rasgando a face da verdade,
Irmãos do ser maldito das trevas,
Andando em carruagens luxuosas,
Nos seus lábios doces da falsidade,
O grito estridente e amargo da besta.

Jorge Floriano.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013


PORÃO DO TEMPO

Fantasmas estão ao meu redor neste momento,
Lembranças me lançaram no profundo porão do tempo,
Os vultos continuam me assombrando no meu quarto,
Rezo, mas sou tão pequeno nesta imensa escuridão,
Impossível escapar das garras do medo que me rasga,
A minha alma está presa às correntes do passado,
Nestas lembranças o homem é o menino...
O tempo segue o seu curso naturalmente.

Jorge Floriano.



terça-feira, 24 de setembro de 2013


SERPENTE BESTIAL

Eis a serpente rastejante
Cravando suas presas nos corações
Espalhando seu veneno fulminante
Atrocidades e ilusões...

Suas escamas roçam a humildade
Deixando-a fosca e dura,
Em suas espinhas corre a maldade
Alimentando a ganância fétida e escura.

Serpente de olhos bestiais
Seduzindo frágeis almas pelo mundo
Para aumentar os rendimentos mensais
Que alimentam esse império imundo.

Com sete mil cabeças malditas
A serpente rasteja pela estrada
Todo o mal que nela habita
Terminará quando cada cabeça for esmagada.

Jorge Floriano.